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Neuropsicologia em Lisboa

O Neuropsicólogo é psicólogo com especialidade de neuropsicologia.

 

A sua intervenção pode ser realizada desde a infância até aos idosos. Trabalham em parceria com outros psicólogos, psicoterapeutas e com médicos psiquiatras, neurologistas, pedopsiquiatras e neuropediatras.

 

A sua actividade divide-se essencialmente entre Avaliação Neuropsicológica e Programas de Estimulação Cognitiva/Reabilitação Cognitiva.

Avaliação Neuropsicológica

 

A Consulta de Neuropsicologia inicia-se por uma história clínica, com o objectivo de melhor caracterizar o nosso/a utente. Seguidamente aplica-se a bateria de avaliação neuropsicológica e emocional, que vai permitir clarificar as dificuldades cognitivas, psicológicas ou funcionais, vivenciadas pelo doente ou testemunhadas pelos seus familiares. É possível, desta forma, elaborar um relatório, que irá complementar, em muitas situações de patologias de disfunção cerebral, a avaliação clínica realizada por neurologista ou psiquiatra.

 

A avaliação neuropsicológica permite uma avaliação quantitativa e qualitativa das funções nervosas superiores, comparando os resultados obtidos com aqueles que são esperados em indivíduos com a mesma idade e escolaridade, fundamentando ou sugerindo como improváveis diagnósticos de patologias neuropsiquiátricas.

 

A avaliação neuropsicológica impõe-se perante queixas de dificuldades ao nível da memória, atenção/concentração, destreza manual, resolução de problemas, bem como nas alterações da linguagem e do comportamento.

 

É uma avaliação essencial nos períodos pós acidentes vasculares cerebrais e nos traumatismos crânio encefálicos, embora cada vez mais, o principal diagnóstico que exige uma consulta de neuropsicologia, é a Demência de Alzheimer.

 

Para além da avaliação, a consulta de neuropsicologia permite também programar e executar um plano de reabilitação ou de estimulação cognitiva, perspectivando a recuperação total do deficit ou a estabilização de um processo de deterioração.


Estimulação / Reabilitação Cognitiva

A Estimulação/Reabilitação Cognitiva é uma intervenção estruturada realizada por neuropsicólogos, prescrita por médico psiquiatra ou neurologista, direccionada para pacientes com Défice Cognitivo Ligeiro ou para Síndromes Demenciais (Demência de Alzheimer, Demência Vascular, Demência Mista, Demência Fronto-Temporal , Demência de Corpos de Lewy ou outras).

No Défice Cognitivo Ligeiro o paciente tem alterações da memória, da aprendizagem, da orientação ou da planificação, mas mantêm a sua capacidade funcional nas actividades de vida diárias (higiene pessoal, condução, gestão doméstica e financeira). Esta situação clínica, embora determine sofrimento psicológico e desconforto, raramente evolui para demência (somente 10% dos DCL evoluem ao ano para demência). Há benefício em estimular as áreas em défice e as áreas integras de forma a manter uma performance cognitiva adequada.

 

Nas demências, de Alzheimer ou outras, o paciente evolui com deterioração cognitiva que determina alterações das actividades de vida diárias, levando a uma dependência crescente pelos familiares, inicialmente em tarefas mais complexas (gestão de dinheiro, planificação doméstica, condução), e mais tarde mesmo nas actividades mais básicas (vestir-se, higiene pessoal, orientar-se espacialmente).

 

À medida que a demência agrava o paciente frequentemente apresenta alterações psicológicas (depressão, ansiedade, hostilidade, desconfiança, delírios ou alucinações) ou comportamentais (deambulação, inquietação, gritos, oposicionismo, agressividade, controle obsessivo dos cuidadores, ciúme, desinibição sexual, negligência de cuidados pessoais), que determinam crescente constrangimento, angústia e desconforto, especialmente dos familiares.

 

Algumas patologias neurológicas focais (traumatismos cranianos, acidentes vasculares cerebrais, tumores, etc) com alterações cognitivas restritas, mas mesmo assim determinantes de alteração funcional, também podem beneficiar da Estimulação/Reabilitação Cognitiva.

 

Para além de intervenção farmacológica por médico psiquiatra ou neurologista, estes pacientes beneficiam de intervenções não farmacológicas, bem fundamentadas cientificamente, que estabilizam ou atrasam a evolução das dificuldades cognitivas e dos sintomas comportamentais e psicológicos destes pacientes. Estas intervenções não farmacológicas podem ser aplicadas em todos os estádios da patologia, permitindo a potencialização ou mesmo a redução da prescrição de psicofármacos. Controlando a psicopatologia dos pacientes, atua-se também na saúde mental dos familiares e cuidadores (mais de 50% dos familiares de doentes com demência têm depressão ou ansiedade disfuncional, provocadas pela sobrecarga emocional da difícil tarefa de cuidar).

 

Após uma avaliação clínica pelo médico assistente, e depois de uma avaliação neuropsicológica por neuropsicólogo, estrutura-se um plano de estimulação/reabilitação cognitiva e de modelação comportamental adaptado aos défices e às potencialidades de cada paciente. Cada programa de intervenção é adaptado às necessidades de cada paciente e às limitações identificadas pelos familiares.

 

Este programa é precedido de uma avaliação neuropsicológica (ver Avaliação Neuropsicológica), baseada numa bateria de testes psicométricos que determinam, de forma qualitativa e quantitativa, os défices de várias áreas de funcionamento cognitivo (memórias, raciocínio, atenção, orientação, afasias, apraxias, agnosias, planificação, capacidade visuo-espacial, juízo crítico, etc.). Nesta avaliação neuropsicológica são também avaliadas alterações emocionais, limitação nas actividades diárias e o histórico sócio-profissional, que condicionam a elaboração do programa de reabilitação/estimulação cognitiva.

 

O programa de estimulação/reabilitação cognitiva tenta estimular áreas em défice ou, utilizando o potencial de plasticidade cerebral, utilizar domínios cognitivos de compensação ao défice. O objectivo é aumentar ou preservar a funcionalidade do paciente, melhorando a sua vivência de controle e desta forma a sua qualidade de vida. 


As sessões são semanais ou bissemanais, individuais ou em pequenos grupos de 3 a 5 pacientes, articulando-se com os familiares para aferir os resultados da intervenção ou para, quando necessário, disponibilizar sessões de Psicoeducação para Familiares (ceder informação sobre doença, promover estratégias de interacção, manejar dificuldades psicológicas).

 

Utilizam-se metodologias diversas: técnicas de lápis e papel de estimulação/reabilitação cognitiva, recurso a software informático, terapia da validação (em que valida-se o comportamento do paciente com empatia), terapia de orientação da realidade (em que sistematicamente reorienta-se o paciente espacial, temporal, auto e alopsiquicamente), terapia da reminiscência (em que estimula-se o paciente recorrendo a objectos e experiências associadas a memórias remotas), técnicas de relaxação, consciencialização corporal e de reeducação gnoso-práxica, e ainda actividades lúdicas e expressivas aplicadas à reabilitação. Valoriza-se também a vinculação terapêutica, fundamentada numa relação empática e estruturante, como ferramenta de trabalho.

 

Também é valorizada a articulação com os familiares dos doentes ou com outros cuidadores formais que investem tempo nos pacientes (auxiliares de acção médica de lares, apoio domiciliário ou de centros de dia, empregadas, outros técnicos de saúde, etc.).

 

O programa de Reabilitação/Estimulação Cognitiva pode ser aplicado isoladamente ou pode ser uma das metodologias pertencente à um programa de reabilitação mais amplo ( Ver Avaliação Neuropsicológica e Psicoeducação para Familiares). A decisão pelo tipo de programa deve ser discutida e decidida junto dos médicos assistentes, psiquiatra ou neurologista, de acordo com o tipo de patologia, o estádio do deficit cognitivo e o perfil de personalidade e de interesses do paciente.

Neuropsicologia em Lisboa

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